"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quarta-feira, 30 de março de 2011

Achillea ageratum L

Nomes mais comuns:
Agerato; Aquileia; Mil-em-rama; Milfolhada; Macela-de-são-João

A Achillea ageratum é uma planta perene, herbácea e fortemente aromática que pertence à família botânica das Asteraceae e ao género das Achillea.


É uma planta que forma um pequeno arbusto que pode ir dos 10 aos 80 cm de altura. Os caules são eretos, simples ou ramificados, por vezes com pelos, os quais vão caindo à medida que envelhecem.


As folhas, embora aromáticas, são amargas. Por vezes possuem alguns pelos compridos e flexíveis. As folhas da base da planta têm o pecíolo curto, uma nervura mediana espessa e são muito recortadas. As folhas do caule não têm pecíolo e são planas, de forma oblonga e com a margem serrada.

As flores são pequenas e múltiplas e reúnem-se em inflorescência racemosa (1) formando corimbos (2) com 15 ou mais capítulos (3) de cor amarelo-forte.

 (1) Na maioria das plantas que dão flor estas estão dispostas em agrupamentos denominados inflorescências. Uma inflorescência é um ramo ou sistema de ramos caulinares que possuem flores. Chama-se inflorescência racemosa àquela em que o eixo principal cresce mais que os ramos laterais e termina numa gema. Esta gema está sempre a produzir novas flores de tal modo que podemos encontrar, ao mesmo tempo, botões, flores e até frutos, amadurecendo a partir do ápice.

(2) Corimbo é uma inflorescência racemosa em que as flores se situam mais ou menos ao mesmo nível devido ao comprimento gradualmente inferior dos pedicelos ao longo do eixo.


(3) Capítulo é uma inflorescência globosa, achatada ou não na parte superior, de flores reunidas num recetáculo comum geralmente rodeadas por um invólucro de brácteas.

 Utilizam-se as inflorescências da Achillea ageratum quer em arranjos de flores secas, quer em medicina natural, devendo ser colhidas em plena floração e deixando-as secar à sombra, logo a seguir à recolha. Entre as suas propriedades conhecidas pode citar-se a cura de chagas e feridas, virtude conhecida desde a Antiguidade.
As brácteas que envolvem os capítulos são de forma ovada e de margem membranácea e seca. As flores são hermafroditas pois possuem ao mesmo tempo órgãos reprodutores femininos (gineceu) e masculinos (androceu).
A polinização é feita por insetos.

Há quem utilize as folhas em recitas de culinária, em saladas e como tempero em sopas e estufados.
Os frutos são aquénios, tipo fruto seco com uma só semente.
Floresce de junho a setembro.
Pensa-se que esta planta é endémica da região mediterrânica. Em Portugal encontra-se com mais frequência no centro e sul do país, de preferência em solos argilosos.


Sobre o género Achillea:

Achillea é um género que inclui cerca de 85 plantas de flor, da família das Asteraceae, vulgarmente conhecidas como milefolio. Crescem principalmente na Europa e zonas temperadas da Ásia. Quase sempre têm folhas peludas e fortemente aromáticas e apresentam inflorescências planas no topo de cada caule. As pequenas flores que formam estas inflorescências podem ser brancas, amarelas, laranja, rosa ou vermelhas.
 Algumas espécies são muito populares, sendo vendidas nos viveiros de plantas e cultivadas em jardins.
 O nome Achillea teve origem na personagem da mitologia grega Aquiles. De acordo com a Iliada, os soldados de Aquiles utilizavam os milefolio para tratar as feridas causadas pelas guerras.
 As larvas de muitas espécies de insetos (leptidópteros) entre os quais se incluem as borboletas e as traças, usam os milefolio como fonte de alimento.
 Estas larvas são na sua maior parte herbívoras, e muitas vezes alimentam-se exclusivamente de uma variedade limitada de espécies de plantas. A dependência de alimento de plantas especificas (que variam conforme a espécie) condiciona e restringe a distribuição das espécies de lepidoptera. Há cerca de 180 000 especies de lepidopteros classificados em 127 familias das quais seis estão em perigo de extinção e cerca de 150 estão também ameaçadas. Para esta situação contribuiu não só a destruição de habitats e consequente desaparecimento de plantas que serviam de alimento preferencial a certas espécies de insetos, mas também porque muitas larvas de espécies de lepipoptera são consideradas pestes e consequentemente destruídas. Dos ovos saem as lagartas que depois se transformam em inseto adulto. Os lepidópteros adultos não são prejudiciais às plantas sendo que na maioria das espécies, são seres alados, de hábitos terrestres mas inofensivos e geralmente dotados de grande beleza. No entanto, as lagartas são quase sempre daninhas e não raro causam graves prejuizos nas plantações agrícolas e florestais.


Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos - Areal Sul e Caniçal/Lourinhã

segunda-feira, 28 de março de 2011

PLANTAGO - género botânico



O GÉNERO PLANTAGO
O post de hoje refere-se a três espécies diferentes mas relacionadas entre si devido à sua morfologia muito semelhante. Todas elas já brotaram do solo há largas semanas e em breve estarão em plena floração, trabalhando arduamente para cumprir o seu ciclo e com isso contribuindo em larga escala para piorar as nossas alergias. São três espécies que pertencem à pequena família das Plantaginaceae e ao género Plantago.
Plantago é um género botânico pertencente à pequena família das Plantaginaceae que perfaz cerca de 200 géneros e 2500 espécies. Na sua maioria são plantas herbáceas, sem caule ou de caule curto, com folhas elípticas e flores insignificantes, quase todas características das regiões temperadas ou das montanhas tropicais. As pequenas flores, dispostas em espigas densas, são na sua maioria polinizadas pelo vento. Produzem grandes quantidades de pólen, que, juntamente com o dos cereais, é responsável pela maior parte das alergias primaveris. Neste género, começam por nascer as flores inferiores das espigas e só a medida que estas morrem é que as superiores vão abrindo; fica então um anel de estames oscilantes no topo da espiga. Algumas espécies são ervas daninhas de extermínio difícil, embora algumas sejam bastante nutritivas e, como tal, aproveitadas como forragem. Algumas espécies são usadas no tratamento de doenças que envolvem processo inflamatório, além de agir como imunomoduladores, através da atividade dos seus princípios ativos como: mucilagens, taninos, flavonoides e aucubinas.

Plantago coronopus

Nomes vulgares:
Corno –de-veado; Diabelha; Diabelha-dos-Açores; Diabinhos; Engorda-ratos; Erva-pulgueira; Estrela-mar; Megabelha; Orelha-de-lebre-do-reino; Psilio; Tanchagem-corno-de-ganso; Tanchagem-corno-de-veado; Zaragatoa

Plantago coronopus é uma planta rasteira que tanto pode ser anual como perene, embora tenha vida curta. A maior parte das vezes as folhas morrem durante o descanso vegetativo voltando a surgir com a chegada da primavera.
As folhas posicionam-se em uma ou mais rosetas e são de forma linear e espatulada, divididas até mais do meio do limbo. Por vezes, embora raramente, são só dentadas ou inteiras. Esta planta é um pouco mais pequena que as outras espécies do mesmo género.
Possui vários escapes florais os quais são mais compridos que as folhas, terminando em inflorescências em forma de espiga cilíndrica e densa, com extremidade aguda e ligeiramente curva. As flores das espigas são hermafroditas e são polinizadas pelo vento. As pétalas são muito pequenas e não têm cheiro. Os estames de cor amarelo-pálido são a parte mais vistosa da flor.
Protegendo cada uma das flores, as brácteas são de forma oval com margem membranácea mas seca, um tanto firme e acastanhada
Fonte Wikipedia
Os frutos, minúsculos, são cápsulas em que a parte superior se abre como uma tampa deixando sair as sementes, as quais são quase exclusivamente espalhadas pelo vento.
É uma planta ruderal, isto é, vive em terrenos remexidos tais como escombros, entulhos e estrumeiras os quais são caracterizados por elevada percentagem de azoto no solo. Também ocorre em rochedos e areias do litoral. Nas dunas surge nas zonas correspondentes as dunas fixas interiores. Encontra-se muitas vezes no meio dos caminhos, parecendo gostar de ser pisada. Distribui-se pelo noroeste e sul da Europa e noroeste de África. Em Portugal encontra-se por todo o país onde floresce durante a maior parte do ano.
 Devido às suas propriedades antiinflamatorias, é comum tomar-se chá feito com as folhas desta espécie para curar afeções respiratórias e dores de garganta

Plantago serraria

Nomes vulgares:

Pé-de-corvo; Pulgueira; Tanchagem-alvacenta


Plantago serraria é uma planta que se distribui essencialmente pela zona mediterrânica. Em Portugal encontramo-la principalmente no litoral centro e no sul do país.
É uma espécie perene muito semelhante à Plantago coronopus, havendo diferenças visíveis apenas a nível da morfologia das folhas. Segundo estudos recentes a Plantago serraria pertence ao grupo da Plantago coronopus, havendo no entanto, uma diferença no número de cromossomas.

As folhas não têm pecíolo e desenvolvem-se numa roseta basal. São simétricas, de forma lanceolada e com a margem dentada.
Possui vários escapes florais os quais são mais compridos que as folhas, terminando em inflorescências em forma de espiga cilíndrica e densa, com extremidade aguda e ligeiramente curva. Também nesta espécie os estames de cor amarelo-pálido são a parte mais vistosa das flores.

É uma planta com grande capacidade de adaptação, que cresce em escombros, terrenos incultos e caminhos.
Floresce de abril a setembro.

Plantago lanceolata
Nomes vulgares:
Acatá; Calracho; Carrajó; Carrijó; Carrojó; Corrió; Erva-de-ovelha; Língua-de-ovelha; Lingua-de-vaca; Orelha-de-cabra; Ovelha; Tanchagem-das-boticas; Tanchagem-menor; Tanchagem-ordinária; Tanchagem-terrestre; Tantage
Foto de Forest & Kim Starr. Fonte Wikimedia commons
Esta é uma planta bienal ou perene cuja parte aérea pode morrer durante o descanso vegetativo.
As folhas são acaules e apresentam-se em roseta, de formato linear e com margens lisas com nervuras paralelinervias. As folhas têm alguns pelos, mas esparsos.
Foto de Kurt Stüber. Fonte Wikimedia commons
Os caules florais são nus, estreitos e mais compridos do que as folhas, terminando numa espiga oblonga, inicialmente verde e fina mas que se vai tornando densa, acastanhadada e cilíndrica consoante as flores vão abrindo. Cada flor tem 4 sépalas ligeiramente pilosas e uma curta corola com 4 lóbulos As brácteas têm forma de lança com a parte mais larga perto da bainha. A extremidade é aguda e ligeiramente curva com margens secas e membranáceas e com alguns pelos.
Fonte 
Os estames são bastante salientes e são a parte mais vistosa das flores as quais têm anteras brancas com filamentos finos. As flores são polinizadas pelo vento e não têm cheiro. Cada flor é substituída por um pequeno fruto de forma ovóide ou elíptica, que se parte e deixa sair 2 pequenas sementes geralmente levadas pelo vento depois de maduras. Cada semente é de forma oblonga, castanha ou preta e fortemente recortada num dos lados.
Fonte Wikipedia 
Visto que esta planta é polinizada pelo vento é pouco interessante para os insetos que procuram o pólen. No entanto larvas de algumas borboletas alimentam-se das folhas. As sementes são muitas vezes comidas por pássaros e gafanhotos. Coelhos bravos e algum gado podem comer a folhagem embora seja algo amarga e filamentosa.
Esta planta é nativa da Europa mas adaptou-se bem a outras regiões. Na realidade é uma das plantas mais comuns encontradas na flora europeia. Hoje em dia distribui-se pelo sul da Europa, noroeste de África e próximo oriente. Em Portugal pode encontrar-se em quase todo o país, florescendo de abril a junho.
Prefere relvados, rachas nos pavimentos, terrenos remexidos, arenosos ou não, beira dos caminhos. No entanto o grau de infestação tem-se mantido dentro de certos limites e de momento não é preocupante. Esta tendência pode inverter-se a qualquer momento uma vez que as sementes são pegajosas quando estão verdes podendo agarrar-se às patas dos animais e aos sapatos dos humanos que, inadvertidamente podem contribuir para a propagação desta espécie, colonizando novas áreas.
É uma espécie com importância na terapêutica e que tem sido submetida a ensaios de atividade farmacológica. Esta espécie possui indicações para amigdalite, estomatite, faringite e as formas farmacêuticas mais utilizadas são o gargarejo e a infusão.
Sobre o nome cientifico das plantas:
Vem a propósito relembrar porque é que o nome científico de cada planta é sempre formado por, pelo menos, duas palavras. A primeira corresponde ao género botânico a que pertence a planta e a segunda palavra representa a espécie. Do nome cientifico pode ainda constar a indicação da subespécie ou o nome do descobridor da espécie e é sempre escrito em latim e em italico. Adotou-se este sistema para que haja uma uniformidade a nível global. Desta forma, o nome cientifico de uma planta é o mesmo em qualquer parte do mundo, independentemente da lingua de cada pais, não havendo assim lugar a confusóes na sua identificação. É óbvio que cada país tem nomes populares para designar as plantas, os quais podem variar de região para região.

Fotos do blog - Arribas da Praia do Caniçal /Lourinhã



terça-feira, 22 de março de 2011

Centranthus calcitrapae (L.) Dufresne

CALCITRAPA

A Centranthus calcitrapae é uma planta da família botânica Valerianaceae a qual inclui mais de 400 espécies de plantas herbáceas e alguns arbustos, entre plantas silvestres, ornamentais e ervas aromáticas.
A Centranthus calcitrapae, de nome comum Calcitrapa, distribui-se pelo Sul da Europa e região mediterrânica. Em Portugal podemos encontrar esta espécie em quase todo o território, sendo frequente em terrenos incultos e soalheiros.
É uma planta herbácea anual, relativamente baixa mas podendo atingir os 60 cm de altura.
Os caules são eretos, delgados e ocos, simples ou ramificados, frequentemente com tonalidades avermelhadas.
As folhas da base da planta são providas de pecíolo, obovadas ou seja, em forma de ovo, mas mais estreitas na base e com a margem inteira serrilhada.
As folhas superiores têm pecíolo curto ou inexistente e têm forma lanceolada mas com a maior largura um pouco acima do meio.

São também bastante divididas, com o segmento terminal arredondado e muito maior que os laterais, os quais diminuem gradualmente de dimensões na direção da base da folha. 
O limbo encontra-se dividido para além do meio embora não atinja a nervura mediana.
Resumindo, em termos técnicos diríamos que as folhas superiores do caule são oblanceoladas, liradas e penatipartidas.
As flores são muito pequenas, quase minúsculas, de cor rosada e estão dispostas em inflorescências compostas, de superfície plana, do tipo cimeira, em que o pedúnculo termina numa flor que floresce em primeiro lugar. As outras flores aparecem sucessivamente em direção à periferia, em pedicelos secundários e por vezes terciários.

As inflorescências estão providas de brácteas que são folhas modificadas, situadas mais ou menos perto das flores e cuja função é a de as proteger.
Cada corola é formada por 5 pétalas que abrem no topo de um tubo curto e afunilado mais estreito em baixo do que em cima e com um pequeno esporão na base.
As flores são hermafroditas já que apresentam tanto estruturas femininas (gineceu) como masculinas (androceu).
Os órgãos masculinos abrem antes dos femininos, com intervalo de alguns dias, durante os quais é feita a polinização, geralmente por insetos.

Nesta espécie, o androceu está reduzido a um só estame sem pelos e proeminente, com uma antera na ponta, e um estilete. A antera, situada na ponta do estame é um saco onde são produzidos os grãos de pólen. O estilete é um tubo estreito que liga o estigma ao ovário. O estigma possui um líquido pegajoso que contribui para a fixação do pólen.
Cada fruto tem apenas uma semente a qual é provida de um papo de sedas plumosas, para melhor ser levado pelo vento.
A Centranthus calcitrapae floresce de março a julho ou agosto e vive em terrenos arenosos ou removidos, cultivados ou incultos, desde o nível do mar até cerca de 1800 metros de altitude.
SOBRE A FAMÍLIA DAS VALERIANACEAE:
Muitas espécies da família das Valerianaceae têm um odor característico quando secas. Este odor deve-se à presença do ácido valeriânico ou valérico e seus derivados. Estes compostos são muitas vezes abundantes nas raízes. Os extratos de folhas e raízes de algumas espécies têm propriedades medicinais e são usados para problemas do sistema nervoso. Outras espécies, nomeadamente originária dos Himalaias, são usadas para fazer perfumes e corantes. Certas espécies europeias são consumidas em saladas. Contudo, algumas plantas contêm venenos altamente concentrados, pelo que no caso das espécies desta família, tal como noutros casos, é necessário extremo cuidado com a escolha das plantas silvestres. Nem tudo o que é natural é apropriado para ser ingerido.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).

Fotos: Areal Sul/Areia Branca e Arribas da Praia do Caniçal/Lourinhã

quinta-feira, 17 de março de 2011

Arctotheca calendula (L.)Levyns

ERVA GORDA

 A Arctotheca calendula é uma espécie pertencente à familia botânica das Asteraceae ou Compositae, fácilmente reconhecível pela sua flor característica, tipo malmequer.
É uma planta muito vistosa, infelizmente também uma terrível invasora. Esta planta é nativa da África do Sul mas foi introduzida acidentalmente ou com fins ornamentais noutras regiões entre as quais, Australia, Nova Zelandia, Peninsula ibérica e Estados Unidos onde se naturalizou com grande rapidez e onde é agora considerada uma invasora muito difícil de erradicar.
Em Portugal é proibido o seu cultivo ou uso como planta ornamental pois apresenta um comportamento invasor manifesto sendo uma espécie muito perigosa para os ecossistemas naturais nomeadamente os sistemas dunares. Esta planta reproduz-se com grande facilidade e rapidez pois não só lança grandes quantidades de sementes que perduram no tempo, como também produz estolhos subterrâneos que formam novas plantas. Desta forma ocupa os espaços de forma exagerada, abafando as plantas nativas. Vale a pena recordar que se entende como “espécie invasora” uma espécie suscetível de, por si própria, ocupar o território de uma forma excessiva, em área ou em número de indivíduos, provocando uma modificação significativa nos ecossistemas.
A Arctotheca calendula, vulgarmente conhecida por Erva Gorda, é uma planta herbácea de pequena envergadura, de ciclo anual, sem caule ou com caules folhosos deitados sobre o solo, desenvolvendo-se a partir de uma roseta basal.
As folhas são de cor verde escuro, dispostas de forma alternada e divididas em segmentos até meio do limbo, com o segmento terminal arredondado e muito maior que os laterais. A página superior das folhas tem pelos finos que são muito mais densos e moles na página inferior, formando um feltrado esbranquiçado dificilmente é visível à vista desarmada.
As inflorescências dispõem-se em capítulos solitários com 3 a 5 cm de diâmetro, no topo de longos pedúnculos, peludos e sem folhas.


As flores do disco são negro-esverdeadas. As flores marginais do disco são estéreis apresentando lígulas amarelas mais pálidas na parte superior e com laivos púrpura na parte dorsal. As flores do interior do disco são tubulares e hermafroditas.
 Este conjunto é protegido por um invólucro de brácteas dispostas em varias linhas imbricadas, as externas herbáceas com margem membranosa seca, as internas completamente membranosas e secas e terminando em ângulo obtuso.
Os frutos são cipselas, isto é, frutos secos com uma só semente e formados por uma parte basal, o aquénio, que está provido de pequenos ganchos densamente lanosos para favorecer a sua adesão ao pelo dos animais, e de um ápice plumoso, o papilho, geralmente em forma de guarda-chuva, o que facilita a dispersão pelo vento.
Esta planta vive preferencialmente em locais húmidos mas também ocupa zonas arenosas e áridas, florescendo de março a junho.
SOBRE AS INFLORESCÊNCIAS EM CAPÍTULO:
Já sabemos que a inflorescência é a disposição das flores numa planta. O capítulo é um tipo de inflorescência que apresenta muitas flores reduzidas agrupadas de uma forma muito compacta diretamente sobre o receptáculo em forma de disco. As flores periféricas deste disco apresentam um prolongamento em forma de pétala (as lígulas) o que, no conjunto, dá o aspecto semelhante a uma flor “normal”. As ligulas são sempre muito vistosas e são elas que atraem os insectos polinizadores para as flores no disco. Toda esta estrutura está envolvida por brácteas que são folhas modificadas com função de proteção tal como as sépalas nas flores “normais”

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado)..
Fotos - Arribas da Praia do Caniçal/Lourinhã

terça-feira, 15 de março de 2011

Lagurus ovatus

Rabo-de-lebre

A Lagurus ovatus vulgarmente conhecida como Rabo de Lebre, é uma gramínea facilmente identificável pelas suas cabeças florais em forma de espiga, suaves e fofas como a cauda de um coelho ou lebre. É muito utilizada como planta ornamental, em jardineiras e vasos por ser uma planta muito decorativa. Depois de seca, faz lindos arranjos florais.

É uma espécie nativa da região mediterrânica e vive nos areais, margens de caminhos e terrenos incultos. Nos sistemas dunares são mais frequentes no interior da duna frontal.

É uma planta de ciclo anual, que pode ir dos 10 aos 40 cm de altura, herbácea e ereta, com caules cilíndricos e ocos, com nós engrossados, nos quais se inserem as folhas. Os ramos possuem pelos fracos e densos e podem ser simples ou ramificados nos nós inferiores.

 As folhas colocam-se em roseta na base e são planas, com uma forma tendencialmente linear e com nervuras paralelas. 


Pormenor da articulação da folha. Foto de Zeynel Cebeci
Fonte Wikimedia commons
Estas folhas, cobertas por pelos sedosos, têm uma morfologia muito característica: a parte mais próxima do ponto de inserção forma uma bainha que envolve parte do caule, a qual termina no limbo foliar. Na articulação entre estas duas partes existe um prolongamento em forma de membrana a que se chama lígula.




Fonte Wikimedia commons. Pormenor da foto de MurielBendel
As inflorescências são densas, peludas e sedosas, de forma oval, de cor verde pálido no inicio e depois de cor creme esbranquiçado. Abrem no topo de um longo pedúnculo e são panículas, sendo assim designadas porque o comprimento dos ramos do agrupamento de flores decresce da base para o ápice dando-lhe a característica forma oval. As panículas são constituídas por espiguetas que conforme o nome indica são pequenas espigas geralmente com varias flores muito reduzidas.

As espiguetas são ligeiramente comprimidas lateralmente e desprendem-se na maturação juntamente com a parte superior do pedúnculo. As flores das espiguetas são protegidas por várias séries de brácteas (glumas, lemas, páleas) mas com perianto reduzido a 2 ou 3 escamas (lodículas).

A floração dá-se entre os meses de março e junho.

Os frutos são pequenos, oblongos e sem pelos.

A Lagurus ovatus pertence à família das Poaceae (gramineae) que compreende mais de 10.000 espécies, espalhadas por todos os continentes. No que diz respeito à economia mundial esta família botânica é a mais importante de todas as famílias pois inclui muitas espécies de cereais que são a base da alimentação humana, quer por via direta quer através de forragens.
A família das Poaceae divide-se em cerca de 670 géneros. A Lagurus ovatus pertence ao género Lagurus. Poder-se-á, à primeira vista, confundir com espécies de outros géneros da mesma família como é o caso do género Polypogon, cujas folhas também estão cobertas por pelos sedosos. No entanto as espécies deste género têm uma inflorescência mais comprida e de cor verde ou avermelhada e vivem em lugares húmidos enquanto que os Lagurus se encontram em locais bem mais secos.
Seguem-se imagens de uma espécie do género Polypogon que nos permitem constatar a diferença das espécies do género Lagurus:

Polypogon monspeliensis
Fonte Wikipedia
Foto do esquerda de Javier martin
Foto da direita de Philipp Weigell

Fotos do blog - Areal Sul / Areia Branca-Lourinhã