"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Prunella vulgaris L.


Nomes comuns:
Consolda-menor; brunela; prunela; erva-férrea; erva-das-fridas

Prunella vulgaris. Fonte: Wikiwel
A protagonista de hoje é Prunella vulgaris, uma espécie da família Lamiaceae = Labiatae, popularmente denominada família das mentas. Esta erva é comestível e medicinal, podendo ser encontrada em diversas regiões do território português como espécie nativa, seja no continente ou nos arquipélagos de Madeira e Açores. Já foi famosa em tempos e indispensável no alívio de qualquer tipo de maleita, gozando de enorme protagonismo entre a grande variedade de mezinhas que fazem parte da medicina popular. Com a chegada dos produtos farmacêuticos de ação instantânea foi caindo no esquecimento popular e a fama das suas virtudes diluiu-se no tempo, como aconteceu a tantas outras plantas que tão úteis foram aos nossos antepassados. Na dieta das populações também se usavam as folhas, cruas ou cozidas, em saladas, sopas, estufados ou segundo a imaginação e criatividade de cada um. O seu sabor é amargo devido aos taninos presentes na composição dos seus tecidos, mas este travo pode ser suavizado através do truque de escaldar previamente as folhas.
Prunella vulgaris
O seu uso em medicina tradicional é antiquíssimo, tendo sido mencionado pela primeira vez na literatura médica chinesa durante a dinastia “Hanocidental” (206 a.C.-22 d.C.). A fama das suas qualidades terapêuticas chegou, entretanto, a todas as partes do globo e durante séculos foi remédio aconselhado para praticamente todas as maleitas conhecidas do Homem. Os anglo-saxões, com o espírito prático que os caracteriza foram diretos ao assunto, chamando-lhe “heal-all” e "self-heal" o que se traduz, respetivamente por “tudo-cura” e "cura-te a ti próprio", numa clara alusão à facilidade em encontrar o que achavam ser a cura para todos os males, sem necessidade de conselho médico.
Tendo-se tornado uma panaceia quase universal, em medicina ocidental esta erva era principalmente usada externamente para tratar lesões menores como feridas, queimaduras, contusões e ulceras da boca, dores de garganta, inflamação dos olhos e sangramentos, enquanto na medicina chinesa, era usada sobretudo para tratar queixas do foro hepático, atuando como estimulante do fígado e da vesicula biliar. Estudos recentes demonstram e confirmam a ação do ácido rosmarinico presente na composição quimica da planta, na redução de radicais livres ao nível das células hepáticas, preservando a integridade estrutural e funcional do figado.
Todas as partes da planta são medicinais e são usadas principalmente pela sua ação analgésica, antissética, adstringente, antibiótica, antiespasmódica, anti-inflamatória, antitumural, cicatrizante, carminativa, depurativa, diurética, hemostática, febrífuga, hipotensiva, sedativa, vermífuga, vulneraria e tónica. Entretanto, estudos recentes referentes ao uso da planta no tratamento de herpes, cancro, sida, problemas de alergias e diabetes, parecem prometedores. Assim, muitos dos benefícios lendários desta planta parecem estar a ser cientificamente suportados. 
Os constituintes químicos principais incluem taninos, ácido betulinico, acido canfórico, delfinidina, hiperoside, ácido oleanólico, ácido rosmarinico, ácido mirístico, ácido ursolico, ácido laurico, manganês,  beta-sitosterol e lupeol.
Prunella vulgaris
Além dos usos medicinais, Prunella vulgaris pode ser bastante interessante como planta ornamental atapetante, sobretudo em jardins de pedra ou do tipo silvestre, os quais podem mimetizar a natureza e valorizar a paisagem natural. As cores vibrantes das suas inflorescências em tons de roxo, violeta e verde tornam-na muito atraente, além de ser muito melífera. 
Prunella vulgaris
Esta planta requer climas temperados e dá-se bem em pleno sol mas é em situações de sombra parcial que melhor se desenvolve. Cresce em qualquer tipo de substrato e as suas necessidades de humidade são muito variáveis. Embora preferindo o pé bem húmido, uma vez bem estabelecida tolera situações ocasionais de alguma escassez de água, como acontece no fim do verão nas regiões mediterrânicas. De forma geral, encontramo-la em ambientes antropogénicos, em lugares húmidos como a beira de ribeiros, prados, lameiros, clareiras das florestas e pastagens. Nestes lugares cresce até aos 40 ou 60 cm de altura. Também pode aparecer em relvados onde, devido aos constantes cortes poderá não exceder os 5 cm de altura. Em certos locais esta planta é tão comum que mal damos por ela, sobretudo porque a determinada altura os caules vergam com o seu próprio peso e se misturam com as outras plantas.
Prunella vulgaris - Caule subterrâneo, raízes e gemas em fase de abrolhamento
Prunella vulgaris é uma erva perene, ereta ou rastejante, cuja altura varia entre os 5 e os 60 cm. Frequentemente os caules não aguentam o seu próprio peso e descaiem atingindo o solo onde enraízam nos nos pontos onde os nós tocam no substrato, dando origem a novas plantas.
A parte subterrânea desta planta caracteriza-se pela existência de um estreito rizoma, ou seja um ligeiro engrossamento de caules subterrâneos cuja missão é fazer reserva de nutrientes. Estes rizomas formam raízes finas que não só fixam a planta ao solo como também servem para absorver água e sais minerais entre outros compostos necessários ao desenvolvimento da planta. Estes rizomas têm a faculdade de se expandir, crescendo paralelamente em relação ao solo, produzindo, a determinados espaços, nós com gemas. A partir destas gemas surgem novas raízes e folhas, dando origem a novas plantas. Os caules aéreos têm seção quadrangular e a sua cor é avermelhada, apresentando alguns pelos dispersos que vão desaparecendo à medida que a planta envelhece. 
Prunella vulgaris - caules de seção quadrangular com folhas opostas
Os caules são relativamente pouco ramificados e as folhas, também pouco abundantes. As folhas dispõem-se de forma oposta nos caules e possuem pecíolos que podem ser longos ou curtos; o limbo é de cor verde-escura com a página inferior mais clara; a sua forma é ovada ou ovada-lanceolada, com margens inteiras ou com recortes arredondados.
Prunella vulgaris - folhas
Cada folha apresenta uma nervura central com 3 a 7 nervuras secundárias. Podem ter alguns pelos nas margens ou no veio mais proeminente na pagina inferior ou apresentarem-se glabras.
Prunella vulgaris - inflorescência
Esta planta é facilmente identificável pelas suas inflorescências as quais formam uma estrutura semelhante a uma espiga grossa e circular denominada verticilastro. Este tipo de estrutura floral, em que as flores se acomodam em camadas em redor de um eixo floral como se fossem anéis, é muito comum entre as espécies da família Lamiaceae/Labiate.
De notar que durante a época de floração o eixo floral da inflorescência continua a crescer pelo que novos anéis de flores vão sendo acrescentados. No entanto, as flores, cálices e brácteas vão diminuindo de tamanho da base para o ápice da inflorescência, pelo que o diâmetro da “espiga” é menor no ápice do que na base.
Esquema de vestilastros.
Fonte: Plantas y Hongos
As flores de Prunella vulgaris, protegidas pelos respetivos cálices e brácteas, posicionam-se em redor do eixo em grupos de 3 a 6 conjuntos bastante compactados e coloridos em que predominam as cores verde, purpura e violeta. 
Prunella vulgaris
Cada flor está protegida por duas brácteas de cor verde semelhantes a folhas, mas diferentes das folhas caulinares pois têm forma largamente ovada e margens providas de longos cílios brancos; entre a flor e as brácteas situam-se as sépalas, de cor purpura, com forma algo achatada e bordos com 5 dentes rígidos, 3 na parte superior e 2 na inferior. É de dentro das sépalas que surgem os botões florais, de cor violeta que são bem visíveis pois, embora de tamanho diminuto, ultrapassam o cálice em comprimento.
Flores  de Prunella vulgaris - Foto (detalhe) de Michael Gasperl (Migas)
Fonte Wikimedia Commons
As pétalas das flores são zigomorfas ou seja, só são simétricas bilateralmente. Elas estão divididas em dois lobos, formando um lábio superior que é inteiro e côncavo e um lábio inferior subdividido em 3 lóbulos sendo 2 deles estreitos, ladeando o lóbulo central de maior tamanho e que apresenta os bordos dentados. Logo abaixo dos lábios, as pétalas unem-se, formando o tubo da corola que tem a forma de um cone invertido e apresenta um anel de pelos no seu interior.

Prunella vulgaris- detalhes da flor
Foto de Jim Conrad. Fonte Wikimedia Commons
Estas flores possuem órgãos de reprodução masculinos e femininos os quais se formam dentro do tubo da corola. Os 4 estames, organizados em dois pares didínamos (dois grandes e dois pequenos), abrigam-se debaixo do lábio superior. 
Nesta ilustração podemos observar a morfologia particular dos estames que na foto acima é pouco percetivel. Cada um dos filetes se divide em dois braços, um deles com antera e o outro sem antera e com forma pontiaguda.
Fonte Illustrations of the British Flora 1924
O ovário, situado sobre o nectário, divide-se em 4 partes. A partir do ovário desenvolve-se o estilete que cresce por entre os dois estames mais compridos, dividindo-se em dois braços estigmáticos na parte terminal, prontos a receber o pólen trazido de outras flores.
Embora sendo atraída por múltiplos insetos devido ao néctar que produz, esta planta parece estar adaptada para ser fertilizada por abelhas, sendo estes os únicos insetos capazes de chegar ao néctar que está reservado no fundo da corola. O anel de pelos espessos que se encontra na garganta do tubo da corola impede a entrada a outro tipo de insetos mas permite a entrada dos longos probóscides das abelhas que assim conseguem sugar o precioso alimento, enquanto poisam no lábio inferior da flor. Ao fazê-lo as abelhas entram em contacto com o pólen das anteras posicionadas debaixo do lábio superior da flor.
Prunella vulgaris 
Após a polinização, as pétalas deixam de ser úteis e murcham, deixando os cálices com aspeto de envelopes abertos os quais permanecem em função, enquanto os frutos se vão formando e amadurecem.

Prunella vulgaris - sementes
Cada flor produz 4 sementes de forma ovóide, lisas e algo brilhantes.
A floração de Prunella vulgaris ocorre durante a primavera e o verão.

O género Prunella a que pertence esta planta inclui 8 espécies nativas do hemisfério norte, das quais 3 estão presentes em território português. Para além de Prunella vulgaris, acima descrita e que está presente tanto no continente como nas ilhas, existem mais duas espécies nativas e presentes apenas no território continental nomeadamente Prunella grandiflora, que difere de P.vulgaris por ter folhas e flores maiores e Prunella laciniata que tem flores brancas.

Este género pertence à família Lamiaceae = Labiatae, comumente conhecida como família das mentas que inclui mais de 3000 espécies distribuídas por uns 200 géneros, dos quais 29 estão presentes em Portugal. É considerada uma das famílias mais evoluídas entre as dicotiledóneas.

Nota:
As angiospermas dividem-se em dois grandes grupos, monocotiledóneas e dicotiledóneas, assim denominadas, entre outras diferenças, consoante o embrião da semente contenha, respetivamente um ou dois cotilédones. Assim sendo, quando uma semente germina as primeiras “folhas” que aparecem são os cotilédones, um no caso de planta monocotiledónea ou dois no caso de dicotiledóneas. Na realidade, os cotilédones são folhas modificadas que servem de reserva alimentar que ajudam a planta a subsistir durante a fase de germinação, geralmente caindo quando surgem as primeiras folhas verdadeiras.

Os membros desta família são espécies arbustivas ou herbáceas e, caso único entre as famílias botânicas, têm a particularidade de todas elas serem aromáticas e apresentarem propriedades medicinais. Ou seja, muitas outras famílias incluem algumas espécies aromáticas e/ou medicinais mas no caso da família das mentas todas as espécies incluem essas características. São especialmente abundantes na região Mediterrânica e uma parte da Ásia de onde são originárias, mas gradualmente foram sendo introduzidas noutras regiões do globo, encontrando-se, hoje em dia, amplamente distribuídas. Entre os exemplares mais conhecidos desta família podemos nomear as hortelãs, as alfazemas, os orégãos, os tomilhos, as salvias, os rosmaninhos, os alecrins e os manjericões, entre muitas outras.
A importância económica das Lamiaceae/Labiatae é, como se calcula, enorme. À parte o uso caseiro e artesanal, as diversas industrias têm tirado bom partido das qualidades ornamentais, aromáticas e medicinais destas espécies. Assim, são vendidas nos viveiros e utilizadas em paisagismo; depois de secas e devidamente empacotadas são vendidas nos supermercados como condimentos ou chás; através de processos sofisticados são retirados os óleos essenciais os quais são utilizados em aromaterapia e na indústria cosmética e farmacêutica.
Apesar de serem cultivadas em muitos lugares do mundo de clima temperado é na região mediterrânica que estas espécies se sentem em casa e onde medram com mais vigor e concentram os melhores aromas. São espécies que gostam de habitats livres, em encostas de solos tantas vezes pedregosos, vivendo entre outras plantas de baixo porte, que não lhes encobrem o pleno sol e tal como elas estão adaptadas à secura dos verões e às chuvas invernais e primaveris tão características do clima mediterrânico. De forma geral, florescem no verão, altura em que se faz a colheita. Curiosamente, a colheita deve ser realizada ao fim da manhã, momento em que apresentam maior quantidade de óleos essenciais.

A família Lamiaceae/Labiatae é uma das maiores famílias de plantas melíferas. A floração é geralmente abundante e as flores, generosas, não regateiam o néctar, parecendo haver tanto mais deste suco açucarado quanto mais visitantes houver. Aliás, parece haver uma especial relação entre estas flores e as abelhas. A morfologia das corolas, que apresentam um lábio superior e um inferior diferenciados, aparenta ser especialmente adaptada ao corpo destes insetos.


Texto e fotos de floresdoareal.blogspot.pt

(exceto quando especificada outra fonte).

Localização das fotos de Prunella vulgaris da autoria deste blogue: Zambujeira/Lourinhã

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

BOAS FESTAS


Após a chuva podemos alegrar-nos com estes dias de sol esplendorosos. Pouco falta para começar oficialmente o inverno mas as temperaturas continuam amenas e não tarda nada os dias recomeçam a crescer, prometendo a primavera. Os campos e beira dos caminhos começam a cobrir-se de amarelo, a cor “oficial” desta época e as primeiras florinhas a chegar são as Oxalis pes-caprae que apesar de friorentas fazem jus à sua fama e proveito de grandes invasoras.

Entretanto, gozemos as delícias das Festas Natalícias e façamos as promessas da ordem.
BOAS FESTAS para todos e que o ANO de 2017 permita a realização de sonhos e projetos.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Delairea odorata Lem., syn: Senecio mikanioides Walpers

Nomes comuns:
Erva-de-São-Tiago; erva-de-santiago; 
trepadeira-do-Natal; tasneirinha-de-correr 

Foi em fevereiro passado que nos demos a conhecer, eu e a Delairea odorata. No espaço de dias, aquilo que parecia o habitual coberto de um muro de sustentação constituído por diversas espécies de heras, cobriu-se de cascatas de flores amarelas, numa explosão de cor e brilho. Até aquele dia não me tinha dado conta desta espécie trepadeira e ela já tinha vários metros de altura. Das duas uma, ou andei muito distraida ou a "plantinha" se disfarçou bem enquanto tomava conta do local.
De forma sub-repticia, germinou numa linha de escoamento de águas da chuva, a 100 metros da minha casa e, de forma determinada lá foi crescendo, apoiando-se aqui e ali nas plantas mais fortes que foi encontrando no caminho, como quem faz uma escalada. Uma coisa é certa, no ano anterior não estava lá. 
Contudo, o mais surpreendente estava para vir, quando uns dias mais tarde me deparei com nova trepadeira da mesma espécie, dissimulada na beira da sebe de heras que protege o meu jardim do vento sul do inverno. A planta nasceu fora do meu terreno, alimentada pela humidade de uma regueira que corre num nível muito inferior ao do meu muro e lá foi subindo, subindo, até chegar onde queria, para florir por entre as folhas da hera e os losangos da rede, espreitando primeiro de forma algo tímida e depois, criando ânimo, apresentando-se em toda a sua beleza e esplendor.
Esta é uma espécie exótica nativa da África do Sul mais especificamente das regiões de Natal e Cabo, onde o clima é tipicamente mediterrânico (verões quentes e secos e invernos chuvosos). Foi introduzida na Europa meridional e noutras partes do mundo nomeadamente na Califórnia, sudoeste da Austrália, Nova Zelândia, sudoeste asiático onde ocorre até cerca de 650 m de altitude. Apesar do clima do Hawaii ser mais quente que o do habitat nativo, também aí esta espécie se naturalizou, embora apenas ocorra entre os 800 e os 2000 m de altitude, onde as temperaturas são mais frescas.
Delairea odorata foi introduzida na Europa em meados do século XIX, com fins ornamentais, tendo sido incentivado o seu cultivo em jardins e estufas em função da beleza das suas florações suavemente perfumadas e também devido ao seu rápido crescimento e fácil propagação. Contudo, Delairea odorata mostrou-se traiçoeira. POssivelmente apreciadora da liberdade, depressa cortou as “amarras” e fazendo transportar a suas numerosas e leves sementes para fora dos jardins e viveiros, com a ajuda do vento, foi naturalizar-se onde melhor lhe convinha. O pior é que se verificou que não é uma planta recomendável devido à sua tendência em competir com a vegetação autóctone. 
Delairea odorata cresce rapidamente e de forma agressiva. Apesar de não ter gavinhas ou raízes aéreas facilmente encontra forma de subir até às árvores e arbustos mais altos, enrolando-se nos seus troncos e subindo de forma progressiva, privando-os de luz e em casos mais graves, sufocando-os de forma letal. Quando não encontra suporte vertical, Delairea odorata forma tapetes densos que cobrem totalmente o solo matando a vegetação nativa, não só tapando-lhes a luz solar mas também alimentando-se dos seus nutrientes e impedindo que se reproduzam por semente.
Aparentemente as sementes de Delairea odorata não têm nenhum mecanismo que lhe induza dormência pelo que germinam rapidamente, quer se encontrem à superfície ou semi-enterradas no solo e conseguem fazê-lo numa ampla gradação de temperaturas. As sementes são viáveis durante décadas pelo que os bancos de sementes desta espécie se vão acumulando no subsolo.
Encontra-se de preferência em locais húmidos como margens de linhas de água, pastagens, bosques húmidos, beira dos caminhos florestais e ambientes ruderalizados, perto de habitações.
Esta espécie invade geralmente as zonas litorais onde o clima é mais fresco e também mais húmido, o que não impede que ocorra em locais moderadamente secos ou até mesmo secos. É resistente a geadas ligeiras e existem registos da sua presença em arribas do litoral onde está exposta aos salpicos salgados da água do mar. Tanto cresce em pleno sol como na sombra e não é esquisita no que toca ao tipo de solo desde que seja fértil. É, pois, uma espécie com feitio acomodaticio e flexivel, cuja excelente adaptabilidade é a chave do seu sucesso como planta invasora.
De notar que não só altera o habitat das espécies nativas mas também afeta a vida da fauna, com especial incidência nas zonas ribeirinhas pois possui alcaloides bastante tóxicos capazes de envenenar os ambientes aquáticos. A planta também é considerada tóxica para o gado e para os humanos.
Delairea odorata é, como já vimos, uma trepadeira vigorosa, de folhagem perene, cujos caules longos e volúveis são herbáceos em quase toda a sua extensão exceto na base que é algo lenhosa. 
Os caules volúveis.
Os caules emitem ramificações que rapidamente crescem e, sendo bastante fracos e flexíveis, logo procuram suporte, enrolando-se em qualquer estrutura que encontrem à sua beira. Com o tempo tornam-se mais grossos, embora não excedendo os 10 mm de espessura. O seu aspeto é carnudo e partem-se com facilidade, enraizando com facilidade a partir do mais pequeno pedaço. Também os nós que tocam no solo criam raizes com facilidade. São verdes, por vezes avermelhados, glabros (sem pelos) e com seção cilíndrica. 
As folhas lobadas são semelhantes às da hera.
As folhas surgem na extremidade de longos pecíolos; são finas mas de aspeto carnudo com limbos de cor verde, encerado e brilhante; dispõem-se nos caules de forma alternada e estão divididas em vários lobos triangulares com a base recortada, de forma muito semelhante às folhas de hera; são fragrantes quando esmagadas. As folhas da parte superior da planta são mais pequenas que as da parte de baixo.
As florinhas reunem-se em capitulos que por sua vez constituem os corimbos.
As inflorescências de Delairea odorata são corimbos muito densos que surgem na axila das folhas na extremidade dos ramos e que são constituídos por numerosos capítulos (de 15 a 50). 
Aqui, as flores ainda estão fechadas o que nos permite observar as brácteas que formam
 o invólucro e as bractéolas abaixo dos invólucros.
As 8 a 12 florinhas que formam cada capítulo inserem-se num recetáculo em forma de disco, formando um conjunto que é protegido por umas 8 a 10 brácteas de cor verde que formam um invólucro cilíndrico com metade do tamanho das flores. Na base do invólucro existem 2 (por vezes 4) bractéolas, também de cor verde e que são características desta espécie e por conseguinte, importantes para a sua identificação. 
As florinhas abertas apresentando os bordos lobados e os braços estigmaticos aguardando pelo polen
As florinhas, de um amarelo brilhante são afuniladas, com corolas em forma de tubo com bordos divididos em 5 lobos revirados para fora. Ao contrário de muitas outras espécies da mesma família (Asteraceae) as florinhas de Delairea odorata não têm lígulas, semelhantes a pétalas. Todas as flores são perfeitas, ou seja, estão equipadas com órgãos reprodutores masculinos e femininos. Os filamentos dos estames são um pouco mais compridos que as corolas e juntamente com as anteras formam uma espécie de cone. Emergindo do ovário, o estilete é filiforme e termina num estigma com dois braços, distintamente salientes e cujas extremidades são truncadas e divididas em segmentos filamentosos paralelos e muito finos formando uma espécie de franja. Curiosamente, o estilete e os estames desta espécie estão unidos na base, formando uma coluna comum, separando-se apenas na parte superior. 
As flores são suavemente perfumadas o que justifica o epiteto especifico de odorata. 
As flores são polinizadas por insetos, não havendo registo de autopolinização. De facto esta é uma espécie protândrica, ou seja, as anteras amadurecem antes dos órgãos femininos. Acontece que as anteras abrem e libertam o polen enquanto as florinhas ainda estão fechadas mas a autopolinização nesta fase parece pouco provável porque os estigmas ainda estão unidos e mantêm-se muito apertadinhos dentro da corola fechada. A polinização acontece apenas depois que o estilete se tiver alongado para um nível superior ao das anteras, altura em que se divide em dois braços, expondo a superfície estigmática que é recetiva ao pólen trazido de outras plantas pelos insetos.
Cada florinha de cada capitulo se transforma numa semente com a sua coroa de pelos fofos, o papilho
Depois de polinizadas as flores dão origem a inúmeros frutos denominados cipselas e que são constituídos por uma semente quase cilíndrica e uma coroa de pelos denominada papilho.
Semente e papilho
Impulsionado pelo vento, o papilho ajuda a semente a viajar longas distâncias, numa ou mais viagens de parapente.
 
Distribuição de Delairea odorata em Portugal continental. Fonte.
Em Portugal Delairea odorata distribui-se pelo litoral norte e centro do território continental, na ilha da Madeira e na maioria das ilhas dos Açores. Geralmente floresce durante o inverno, entre os meses de janeiro e março.
A forma mais efetiva de evitar a sua dispersão é o arranque manual, tendo o cuidado de descartar em local próprio todos os pedaços da planta, pois ela não se reproduz só por semente, mas também vegetativamente. Qualquer segmento de caule que caia no chão ou seja transportada pela água, tem boas probabilidades de enraizar. Não deve, pois, ser adicionada aos resíduos de jardim.
O método mais utilizado na sua erradicação inclui produtos químicos, os quais são nocivos para a fauna e flora e que cada vez são menos eficazes no seu objetivo pois as plantas vão criando resistência aos químicos, embora continuem a poluir o ambiente.
Nos últimos anos têm sido estudados métodos de controlo biológico que não degradem ainda mais o ambiente. Foi proposto utilizar-se a traça (Digitivalvadelaireae) e a mosca (Parafreutretaregalis), inimigos naturais da planta na Africa do sul e que poderão causar grande dano comendo as folhas de Delairea odorata, minando os caules e neles colocando o seus ovos. Nos Estados Unidos, nomeadamente no estado da Califórnia, que é o estado mais atingido, foi já  autorizada a largada da traça acima referida, pela USDA-APHIS Technical Advisory Group on Biological Control of Weeds.  

Delairea odorata pertence à família Asteraceae, a maior das famílias botânicas de plantas de flor. Esta planta em particular está muito relacionada com o género Senecio no qual já esteve incluída com o nome Senecio Mikanioides, classificação que muitos continuam a usar. No entanto esta espécie foi transferida para o género Delairea do qual é a única representante. A principal característica que a diferencia de Senecio são as bractéolas que se situam na base do invólucro. 

No que diz respeito à taxonomia esta espécie tem um historial muito confuso devido à sua publicação quase simultânea por dois autores diferentes. 
A primeira descrição cientifica da planta e da sua inclusão no género Delairea Lem. foi publicada em 1844 por Lemaire que a descreveu como “espécie distinta diferindo de parentes próximos pelo papilho unisseriado, capítulos com flores todas hermafroditas, etc”.
Em 1845 Walpers publicou a descrição de uma planta largamente cultivada na Alemanha (só posteriormente  se percebeu que era a mesma a que se referia Lemaire) e que ele denominou Senecio mikanioides Otto ex Walpers ou Senecio mikanioides Wapers, mencionando que já se lhe tinha referido numa anterior publicação, embora sem carater formal. 
Numa publicação posterior, a planta foi confirmada no género Senecio por Harvey (1894). Mais recentemente, em 1986 e também em 1992 o botânico Jeffrey publicou varias revisões do género Senecio, tendo voltado a incluir a planta no género Delairea com o nome cientifico Delairea odorata Lem., baseando-se na forma acampanulada do limbo da corola e outras características morfológicas. Entretanto, cada vez mais taxonomistas se põem de acordo com a nova classificação. Apesar disso, nota-se ainda uma grande habituação ao nome antigo, o que não é de estranhar.

Texto e fotos de floresdoareal.blogspot.pt
(exceto quando especificada outra fonte).

Fotos:Serra do Calvo/Lourinhã

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Erigeron karvinskianus DC.

Nomes comuns: 
Vitadínia-das-floristas, intrometidos, floricos, margaridas, teresinhas, margacinha

Erigeron karwinskianus
O tema de hoje vem na sequência do “post” anterior no qual foi feita referência ao género Erigeron e à sua estreita relação familiar com o género Conyza. Conforme então mencionado, varias espécies foram transferidas de Erigeron para Conyza. Apesar de terem mantido os nomes científicos anteriores como sinónimos, tais alterações implicaram um acentuado emagrecimento no género Erigeron, sobretudo no que diz respeito às espécies que ocorrem em Portugal. De facto, o género Erigeron é, agora, muito pouco representado no nosso território, limitando-se a uma rara espécie nativa Erigeron acris e a uma exótica, a belíssima mas proscrita Erigeron karvinskianus.
Erigeron karwinskianus
Esta espécie exótica é nativa do México, Honduras, El Salvador e Guatemala onde ocorre em regiões montanhosas desde os 900 até aos 3500 metros de altitude. No seu habitat natural ela cresce principalmente nas encostas íngremes, penhascos ou fendas de rochas, abundante tanto em florestas húmidas e cerradas como em terreno descoberto. Contudo, esta é uma espécie generalista, isto é, tolera uma vasta gama de condições ambientais e edáficas o que ajudou à sua proliferação.
Erigeron karwinskianus
Hoje em dia encontra-se amplamente naturalizada nas regiões de clima subtropical e temperado de todo o mundo, crescendo em qualquer lugar onde o vento deposite as suas pequenas sementes, nomeadamente em muros, rachas do solo, entre as pedras da calçada, bosques, charnecas, beira dos caminhos, margens dos cursos de água e dunas.
Erigeron karwinskianus
Especialmente apreciada pelas suas qualidades decorativas foi introduzida na América do norte e do sul, China, Índia, Europa, África e Oceânia, largamente comercializada como planta ornamental de exterior, proporcionando grandes proventos a cultivadores e viveiristas. Escapando dos jardins graças às suas numerosas e leves sementes, depressa se aclimatou em liberdade, tornando-se invasiva em territórios fora do seu habitat nativo, reproduzindo-se e espalhando-se rapidamente, formando tapetes densos e abafando as plantas autótones. 

Erigeron karwinskianus
O problema maior tem-se registado em ilhas oceânicas onde o índice de endemismos é mais elevado. Entre os casos mais conhecidos contam-se as ilhas tropicais dos oceanos Índico (ex: Ilhas de Reunião) e Pacífico (ex: Hawaii), e também na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. É por essa razão que faz parte da lista negra de espécies de maior risco invasor nessas regiões. 
Erigeron karwinskianus
Embora demonstre um comportamento menos agressivo na Europa, sobretudo nos países mais frios do norte (ex Suécia)  é, ainda assim, considerada uma espécie com potencial comportamento invasor em vários países, como a Espanha, a Itália, Reino Unido, França, Alemanha e Holanda, entre outros. Apesar disso, Erigeron karvinskianus é uma planta muito apreciada e por isso continua a ser cultivada e a gerar importantes receitas no comércio das plantas ornamentais. Em muitos países a planta é comercializada sem restrições e as suas sementes  publicitadas e disponibilizadas através da internet.
Erigeron karwinskianus
Alguns países (embora poucos) colocaram esta espécie na sua lista negra, como é o caso de Portugal, publicando leis que proíbem a introdução da espécie, o seu cultivo e o comércio (anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro). Devo dizer que não me foi possível conseguir dados estatísticos que me permitam saber qual o grau de invasão desta planta em Portugal continental. Quanto às ilhas, regista-se uma tendência invasora sobretudo nos Açores, o que já de si é muito preocupante. Assim, tudo me leva a crer que a proibição do comércio e cultivo é uma acertada medida, considerando os riscos inerentes e tomando como exemplo dezenas de outras espécies invasoras que a pouco e pouco vão invadindo os nossos espaços naturais. É que, por muito belo que seja o efeito que proporciona a um canteiro, uma espécie exótica acarreta muitos perigos, podendo causar a extinção de espécies nativas que são importantes para o equilíbrio ambiental. Pode ler mais AQUI sobre as plantas invasoras.

De notar que Erigeron karvinskianus não é invasora nas regiões de onde é nativa (Mexico, Honduras, El Salvador e Guatemala) vegetando em perfeito equilíbrio com os ecossistemas naturais e onde os seus inimigos naturais a mantêm dentro dos limites saudáveis.
Mapa de distribuição de Erigeron karwinskianus na Península Ibérica a que correspondem 114 registos.
 Fonte Sistema Anthos
Erigeron karvinskianus é uma planta perene mas de vida relativamente curta. As raízes são fibrosas do tipo rizomatoso. O seu porte é baixo e forma moitas alargadas e densas devido aos emaranhamento dos caules. 
Erigeron karwinskianus
Os caules são numerosos, ramificados, finos e prostrados ou ascendentes, com alguns pelos esparsos, não ultrapassando os 40 ou 50 cm de comprimento. Apesar do seu aspeto frágil são resistentes e com a idade tornam-se sublenhosos na base.
Erigeron karwinskianus
As folhas soltam uma suave fragrância quando esmagadas. São pequenas e ligeiramente pubescentes. As primeiras folhas formam uma roseta basal, são recortadas formando 3 lóbulos e morrem logo que surgem os primeiros caules. As folhas caulinares apresentam forma obovada ou elíptica, com margem inteira ou com algum dente terminal. O pecíolo é curto ou inexistente.
Erigeron karwinskianus
As flores reúnem-se em capítulos bem pequeninos, com menos de 1 cm de diâmetro, os quais se inserem na extremidade de compridos e finos pedúnculos. Os capítulos são do tipo radiado, semelhantes a malmequeres. 


Apesar de ter capítulos de um tamanho bastante mais pequeno que a maioria das espécies do tipo malmequer, Erigeron karwinskianus é, ainda assim, muitas vezes confundida com outras espécies da mesma família, como por exemplo Bellis sylvestris, uma espécie autóctone cujas inflorescências e folhas são maiores e de floração menos exuberante.
Erigeron karwinskianus
As flores centrais têm cor amarela, forma tubular e estão equipadas com órgãos reprodutores masculinos e femininos; as flores periféricas são femininas e estão providas de hemilígulas (lígulas mais estreitas) de cor branca, que após a ântese e respetiva polinização se vão tornando progressivamente rosadas, uma informação útil para os insetos que assim ficam avisados que as flores já estão fecundadas, já nada tendo para lhes oferecer. 
Erigeron karwinskianus
As brácteas que formam o invólucro são linear-lanceoladas, de cor verde, manchadas de castanho e com margens membranosas. 
Erigeron karvinskianus floresce praticamente durante o ano inteiro mas com maior abundância de fevereiro a novembro. 
Erigeron karwinskianus
Nesta foto pode ver-se o disco que serviu de receptáculo às flores e segurou os frutos até à maturação. Alguns  frutos (denominados cipselas) ainda estão agarrados ao disco,  notando-se os pelos compridos que constituem o papilho. Também se notam os restos das brácteas involucrais que nesta espécie permanecem até à maturação.
Os frutos são cipselas, com papilho de pelos compridos e acastanhados muito pequenos e facilmente levados pela brisa.

O género Erigeron a que pertence a espécie Erigeron karvinskianus, é um dos muitos que compõem a família das Asteraceae, também denominada Compositae, vulgo compostas, nome que, como já sabemos, refere a forma composta como se organizam as inflorescências características da família. É um género bastante cosmopolita mas predomina nas regiões temperadas. Erigeron inclui atualmente cerca de 200 espécies das quais cerca de metade são nativas do América do norte. Segundo alguns autores, o seu centro de diversidade primário e de origem evolucionária encontra-se na faixa ocidental da América do norte e México enquanto os centros de diversidade da América do sul, Cáucaso, Alpes, Himalaias e Ásia oriental são considerados secundários. Taxonomicamente é um género muito difícil, situação partilhada por quase todos os géneros desta família que é tão complicada, devido à sua enorme riqueza e diversidade.

A primeira amostra de Erigeron karvinskianus trazida para a Europa (entre 1827 e 1832) foi recolhida no México. Esta espécie foi inicialmente descrita pelo botânico francês Augustin P. de Candolle (DC) em 1836 e o nome especifico homenageia o naturalista e coletor de plantas alemão W. Friedrich von Karwinsky. Desde então, muitos sinónimos foram atribuídos a esta espécie como por exemplo Erigeron mucronatus, o qual é ainda muitas vezes usado.
Os primeiros registos de naturalização de Erigeron karvinskianus em França datam de 1856, mas depressa alastrou a outros países europeus. Por volta de 1878 já estava em Portugal. Foi registada no norte da Itália em 1900, na Suíça em 1920 e nas ilhas do Canal da Mancha em 1925. Os primeiros registos da sua presença na Austrália datam de 1908 e em 1911 estava no Hawaii. Na Nova Zelândia e Japão os registos são mais recentes, respetivamente de 1940 e 1949.

Erigeron acris subespécie acris

Além da espécie exótica Erigeron Karvinskianus existe em Portugal mais uma espécie do género, a Erigeron acris a qual goza de um estatuto diferente, pois é uma espécie nativa europeia e que se pode encontrar desde o mediterrâneo até aos países nórdicos. Esta é uma espécie muito variável, do que resulta divisão da espécie em diversas subespécies, com descrições e características nem sempre consistentes nas diversas floras europeias.

Erigeron acris subsp acris.
Foto de Kristian Peters . Fonte Wikimedia commons.
Erigeron acris subespécie acris é autóctone em Portugal continental (inexistente nas ilhas) mas parece ser rara, havendo poucos registos da sua existência. Vulgarmente, é conhecida como erva-dos-coelhos ou erva-dos-velhos. 

Erigeron acris subsp acris.
Foto de Kristian Peters. Fonte Wikimedia Commons.
É uma planta bienal, rasteira (dos 10 aos 40 cm de altura), de caules eretos e ramificados, densamente peludos, assim como as folhas. Nas inflorescências as flores da periferia apresentam lígulas estreitas de cor branca ou rosa, as flores interiores são amareladas e tubulares. Cresce principalmente em terrenos arenosos, ou nas rachas dos terrenos rochosos.
Erigeron acris subsp acris. 
Foto de Matti Virtala. Fonte Wikimedia Commons.

Texto e fotos de floresdoareal.blogspot.pt 
(exceto quando especificada outra fonte).